Foi um Golden que passou em minha vida…

Existe cachorro tímido?
10/08/2016
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Foi um Golden que passou em minha vida…

 

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Sou apaixonada por todos os cães, de todas as raças e sem raça. Mas tem um que mora no meu coração: Golden Retriever. Além de ser fofinho, gordinho, peludinho, aquele olhar… Que olhar!!! Mas não é só por isso que sou apaixonada pela raça. Há uma ligação muito forte, que me fez ser quem sou hoje.

Em 2009, voltei de Natal, onde fiz a faculdade de Biologia e Mestrado em Psicobiologia (Comportamento Animal). Trouxe comigo meus dois gatos, Félix e Pérola (um dia eu conto como foi essa viagem!).

Ainda com poucos amigos em São Paulo, resolvi ir em uma balada. Lá, conheci um rapaz muito simpático. Mas como ainda estava me adaptando à selva de pedras, não queria compromisso com ninguém.

Ao perceber minha paixão pelos animais, o sagaz rapaz percebeu que existia uma lacuna no meu coração. Para preenche-la, um cãozinho peludo, fofinho seria o ideal. Sem pensar duas vezes, fui ajudar o, então, amigo, a escolher a melhor raça e o melhor canil. Claro que eu passei dias tentando convencê-lo a adotar, mas ele foi veemente: “quero um Golden Retriever!”.

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Após muita pesquisa, encontrei um bom canil, que prezada pelos padrões de bem-estar. Para me certificar disso, resolvi visitar o local e conhecer os filhotes disponíveis. Ai senhor! Maldita ideia!

O canil realmente era limpinho e passava nos meus critérios exigentes de avaliação. Tinham lindos filhotes disponíveis. A ideia era focar a pesquisa nas fêmeas. Mas sabe amor à primeira vista?! Não sei se funciona com humanos, mas, para mim, funciona com bichos!

Foto: Acervo

Foto: Acervo

Era uma bola de pelo douradinha igual a tantas outras. Mas não sei explicar. Tinha um quê diferente. Pedi para pegá-lo no colo. Enquanto isso, aquele rapaz olhava e escolhia outro filhote. Não sei para que ter trabalho, eu já havia escolhido o meu pequeno.

Eu corria pelo canil e ele atrás de mim. Eu fingia que ia embora e ele chorava. Eu voltava e o rabo quase caia de tanto abanar. Era ele! Meu bebê peludo! Aquele que ia preencher minha lacuna!

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Após vinte dias, voltamos para busca-lo. Ele havia crescido, mas a nossa ligação permanecia a mesma. Coloquei no carro e levei para casa. Foi o melhor presente de todos os tempos! Por isso, seu nome era Cronos.

Com muita energia e após alguns estragos na mobília, o pequeno Cronos foi despejado para a casa do pai. Óbvio que eu fui junto. Para minimizar os estragos e conter toda euforia, a veterinária sugeriu que eu fizesse um curso de adestramento e eu mesma ensinasse os comandos.

Foto: acervo pessoal

Foto: acervo pessoal

Assim, eu iniciei minha carreira como adestradora e o Cronos, como cão comportado. Até que um dia (sempre tem um dia), eu fui atender e não pude levar o Cronos. Por isso, ele foi passear sem mim. Enquanto andava e cheirava, começou a fuçar uma grama. Até aí, tudo normal.

Ao sair do meu atendimento, recebo uma ligação aflita. Era o pai do Cronos dizendo que ele estava mal, vomitando, não conseguia levantar. Como um The Flash, cheguei em poucos minutos até a casa (naquela época não tinha tanto radar).

Foi o tempo de colocar o Cronos, quase desmaiado, no carro e correr para o hospital. De nervosismo, errei duas vezes o caminho. Ao chegar, fomos muito bem atendidos e prontamente os veterinários trataram o caso como envenenamento.

Foto: Acervo pessoal

Foto: Acervo pessoal

Após duas semanas de hospital e uma conta astronômica, o cãozinho voltou para casa são e salvo. O que não estava tão são era o relacionamento entre o pai dele e eu.

Tentei manter a relação a qualquer custo. Tudo pelo Cronos. Mas já não tinha solução. O término foi a melhor saída. Mas ficou acordado que eu poderia pegar o Cronos quando quisesse. Porém, um dia, recebi um e-mail mudando a situação. O pai do Cronos havia ficado noivo. Por isso, pedia para que eu me afastasse dele, do meu peludo, e de toda sua família.

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Muito triste, acatei ao pedido. Assim, perdia o contato com aquela bolinha peluda, que me ensinou sobre adestramento e maus comportamentos. Mas mais do que isso, preencheu, por quase dois anos, uma lacuna no meu coração.

Foto: Acervo Pessoal

Foto: Acervo Pessoal

Nunca mais tive notícias do Cronos. Se encontrasse com ele na rua, talvez não o reconhecesse, e nem ele a mim. Mas todo Golden que vejo passar, aperta meu coração, na esperança de um dia poder encontrar aquele olhar do tempo.

Luiza
Luiza
Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Comportamento Animal (Psicobiologia) e pós graduação em jornalismo. Escreve no Blog Comportamento Animal do Estadão e é colunista pet no Link Record News.

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