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Existe cachorro tímido?

Foto: hutch84

Foto: hutch84

Timidez em humanos é um tema muito batido. Mas em animais? Será que existe cachorro tímido? Se sim, o que será que causa isso?

Semana passada, estava mega corrida, que não consegui escrever uma historinha. Espero que a dessa semana compense.

No sábado, dei uma palestra sobre brinquedos para cães, feitos com coisas que temos em casa. A ideia é ensinar tutores a construir os desafios para os pets, sem gastar muito dinheiro. Afinal, tudo será destruído.

Veja o brinquedo mais fácil e clássico para ser feito em casa.

Tudo isso, pois os cães precisam de desafios diários e novidades. Do contrário, eles vão dar um jeito de arranjar algo para roer. Pode ser o pé da mesa, seu chinelo ou até uma carne em cima da pia.

Nesse tipo de palestra, pergunto o nome do pet, ensino a fazer o brinquedo e já ofereço, para o pet aprender como se brinca. A resposta sempre é positiva. No começo, os cães ficam um pouco receoso, mas ao perceber os petiscos dentro do brinquedo, destroem tudinho, para caçar a recompensa.

Mas não foi assim com a Belinha. A primeira pergunta que eu fiz aos tutores foi se ela gostava de petisco. A reposta foi negativa. Perguntei se ela gostava de bola. A resposta também foi não. (Ai senhor, o que fazer para agradar essa cachorrinha?!) A minha sorte foi que eu tinha um petisco natural, que havia feito em casa. Veja como fazer, neste vídeo

Ofereci o petisco natural para Belinha e ela mostrou um pouco de interesse, mas não comeu. Além de ser medrosa, os tutores desistiam logo do novo desafio. Antes que ela pudesse explorar o novo desafio, os tutores falavam “ah, ela não gostou. Deixa” e devolviam o brinquedo para mim.

Aí vem a minha pergunta: a Belinha é medrosa, tímida ou simplesmente blasé?

A resposta foi dada pela Antônia, a buldogue francesa da blogueira Mariana Castro. Quando a buldogue tentou se aproximar da Belinha, para “ensinar” como brincava, os tutores, com medo, colocaram a Belinha para trás de suas pernas. Com um sinal tão claro de perigo e proteção, a Belinha perdeu mais uma oportunidade de aprender a brincar, como cachorro.

Então, resolvi quebrar um pouco do petisco natural, pedir para a tutora da Belinha oferecer para ela, no chão e esperar a reação da Belinha, sem nenhum cão por perto.

Para a surpresa dos tutores, a Belinha não apenas comeu o petisco natural, como tentou andar pelo espaço para buscar mais. Com o comportamento de caça aflorado, agora é a hora de inserir o desafio.

Mas calma. Comer o petisco já foi muito desafio para um dia. Por isso, ofereci o brinquedo para os tutores levarem para casa e brincarem com ela no dia seguinte. Espero que isso tenha acontecido.

Mas se a Belinha não era destruidora, por que eu fiz tudo isso? Animais estimulados mentalmente são mais tranquilos e mais felizes. Se os tutores não permitiam que ela interagisse com outros animais, por medo, agora a Belinha tinha coisas de cachorro para fazer.

Por isso, não existe cachorro tímido. O que há são cães que não foram apresentados às brincadeiras que estimulam os comportamentos naturais da espécie.

Agora já sabe: se seu peludo não gosta do brinquedo, cabe a você descobrir o que chama a atenção dele e estimulá-lo da forma como ele mais se interessar.

Luiza
Luiza
Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Comportamento Animal (Psicobiologia) e pós graduação em jornalismo. Escreve no Blog Comportamento Animal do Estadão e é colunista pet no Link Record News.

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