Biologia X Veterinária: Como decidi minha profissão

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Biologia X Veterinária: Como decidi minha profissão

decisão de carreira

Muitas pessoas me questionam por que eu não sou médica veterinária. Aqui vai uma historinha…

Desde muito cedo, sabia que queria trabalhar com animais. Quando pequena, meus melhores amigos eram cães, gatos, corujas e cavalos. Como morava no interior, minha diversão era visitar a escola agrícola e ver os animais de lá.

Arquivo Pessoal

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Mas foi em uma viagem, quando ainda era criança, que descobri os animais marinhos. Durante um passeio de barco, um dos guias avistou um golfinho morto. Muito curiosa, quis me aproximar do animal, saber o motivo da morte, passar a mão, entender como tudo aquilo era possível.

Em outras viagens, bastava minha mãe falar que íamos ver golfinhos, para tudo ganhar um brilho especial. No mar, me sentia mais feliz.

Como não podia ter um golfinho em casa, pedi, incessantemente, para que minha mãe me desse um cachorrinho. Não importava cor, raça, porte, eu só queria um bichinho dentro de casa. Já havia ganhado periquitos, peixes, mas queria um animal para brincar e correr comigo, livremente.

No natal de 1994, ganhei a Natalie, uma poodle de apenas 45 dias, que seria minha irmã-cachorra por 14 anos.

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Por volta dos meus quinze anos, já na preocupação de que curso escolher, estava em dúvida entre biologia marinha e veterinária. Foi quando a Natalie teve o diagnostico de câncer de mama e precisou passar por uma cirurgia. O veterinário, sabendo da minha dúvida sobre carreira, me convidou para assistir a cirurgia.

Não foi preciso nem entrar na sala de cirurgia. Só de ouvir ele explicando cada detalhe do que iria ser feito, minha pressão já baixou e precisei de um copo de água bem gelado para me recuperar. Alí estava a resposta: eu sou mole demais para ser veterinária.

Porém, como sou um pouco teimosa, quis tirar a prova. No verão de 2002, fui a Florianópolis, a convite de uma amiga, participar do programa de estágio do CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres). Foram três ou quatro dias de extremo aprendizado. Não apenas sobre os animais, mas sobre minha escolha profissional.

Arquivo Pessoal

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Quando chegava um animal novo, não tinha coragem de tirar sangue. Bastava ver uma agulha que já suava frio. Queria entender seu comportamento, o motivo que fez o animal ir parar lá, as influências do aquecimento global naquela espécie, além de hábitos alimentares.

Até que um dia, fomos fazer a reintegração de um lobo marinho. Pegamos um barco, colocamos o animal dentro, e seguimos rumo ao mar aberto. Chegando ao ponto determinado pelos biólogos, o animal foi solto. Eu fiquei observando tudo e perguntando 357 mil coisas ao biólogo que nos acompanhava.

Terminado o dia e o programa de estágio, de volta a São Paulo, decidi: vou fazer biologia marinha! Eu achei que o mais difícil seria a prova do vestibular. Nada disso! Foi convencer a família que biologia era uma carreira muito bonita, e que eu era (ainda sou) mole demais para fazer veterinária.

Depois de meses de discussão, minha mãe me convenceu a fazer biologia, sem ser marinha. Concordei, desde que fosse em uma faculdade próxima ao mar. Assim, lá fui eu para Natal, no Rio Grande do Norte (tem gente até hoje que acha que eu morei em Fortaleza), fazer biologia.

Para ser bem sincera, passado muitos anos, já trabalhando como terapeuta de cães e gatos, me questionei sobre fazer veterinária. “Agora é o momento. Eu trabalho com cães e gatos. Teria mais bagagem para discutir os casos com os colegas. Seria uma profissional mais completa. Ok, vou fazer veterinária” pensei.

biologia ou veterinaria

Já decidida, recebi o convite de uma amiga médica veterinária para acompanhar uma cirurgia super simples, na boca de uma cachorrinha. Era para extrair dois caninos de leite. Cheguei junto com a veterinária, ajudei a montar todo o equipamento e estava adorando. A cachorra chegou e levei para a sala de preparo. Tudo correndo bem, até então. Mas bastou colocar a cachorra na mesa de cirurgia e entubá-la, para tudo ficar preto. Perdi o chão, fiquei fraca e precisei sair da sala. Adeus carreira de veterinária! Luiza continua mole e sem condições de ser médica veterinária. A verdade é: sou muito feliz como bióloga.

Foto: Lilian Knobel

Foto: Lilian Knobel

Luiza
Luiza
Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em Comportamento Animal (Psicobiologia) e pós graduação em jornalismo. Escreve no Blog Comportamento Animal do Estadão e é colunista pet no Link Record News.

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